Dia de Camelo

Antes

Quinta-feira, dia 12 de maio de 2011. Que correria. Eu tinha passado a noite de quarta pra quinta em claro estudando pra prova de Imunologia, e já não estava com a melhor disposição do mundo. Tive aula até as 17h, e depois disso, devido às preparações para a festa da faculdade, me vi em infinitas caminhadas por Porto Alegre tentando vender ingresso. Passei o dia inteiro ocupada com essas mil coisas, mas a cada hora que passava vinha um friozinho na barriga e aquele pensamento de “Hoje é o dia do show!“. E olha, era frio na barriga MESMO.

Voltei pra casa lá pelas 19h e eu PRECISAVA dormir pra conseguir aguentar o show. Tentei. Admito que tentei, mas não consegui pregar o olho.

E aí começou a correria pra arranjar companhia pra ir no show. Eu sou uma pessoa extremamente dependente, gosto de companhia e gosto de dizer que não consigo fazer nada sozinha. Pois bem, acho que essa noite foi a prova de que eu consigo sim (: hahaha.

Eu tinha combinado com uns amigos que iria de táxi com eles, até porque além de diminuir custo de transporte, eu queria companhia durante o show pra não ficar cantarolando as músicas sozinha. Tenho vergonha.

Liguei pra um colega, pra outro, pra outro. Ninguém atendia a PORRA do telefone. Alguns não conseguiram ingresso pra última hora, outros desistiram de ir (não me perguntem… ainda não me conformo com isso). Velho, fiquei desesperada!! Quando finalmente consegui telefonar, meus colegas me disseram que já estavam na fila. PRONTO! Isso bastou para que meus receptores de ansiedade começassem a apitar e eu quase surtei. Cheguei a cogitar não ir mais no show, tamanha a minha IMBECILIDADE.

Por sorte, e pelo Camelo, superei e falei: “Ah, não quero nem saber, eu vou sozinha!.

Peguei o táxi e vuash. Cheguei na frente do bar e vi a fila quilométrica. Vi pessoas de todos os tipos: Cultzinhos, hipsters, pessoas ditas normais, e até uns playboys, que provavelmente não sabiam que hoje ia ter Marcelo Camelo no Opinião. Vi todo mundo, exceto meus colegas.

Por sorte (mais uma vez) encontrei uns veteranos meus e aproveitei pra furar a fila, lógico. Pelo menos na fila eu posso dizer que não fiquei sozinha. Ficamos conversando sobre os shows dos Los Hermanos, o CD novo do Camelo, o CD velho e sobre as expectativas.

Lá dentro, já se ouvia uma voz “familiar”. Ficamos (mais uma vez) desesperados, achando que o show já tinha começado. Isso já era umas 23h15. O show estava marcado pras 23h. Mas graças ao nosso bom senhor jesus cristo, não era o Camelo, e sim a banda “Apanhador Só“, que por sinal, é uma banda muito boa. Gostei muito dos caras.

Depois de pegar o ingresso, entrei no meio daquele mar de gente. Obviamente, me perdi dos meus colegas, e daqui por diante, fiquei sozinha o tempo todo.

O Apanhador Só fazia o seu bom show, tocando bem, cantando bem e até usando uma bicicleta como instrumento musical. Quite impressive!

Em compensação, o público é sempre bem escroto né, não importa quem está no palco. Credo! Eu não fui feita pra gostar de shows, de gente se empurrando, e de gente se esbarrando sem pedir desculpas. Sou EDUCADA DEMAIS pra esse tipo de evento.

Fui tentar achar lugar na esquerda do palco. Um lugar onde eu e meu 1,63m tivessem chance de enxergar o Marcelo. Achei um lugarzinho num degrau, perto de uns casais malditos. E como tinha casal naquela droga. Eu lá, forever alone, e todos os casaisinhos de mimimi esperando tocar “Doce Solidão” ou “Janta” pra poderem se abraçar apaixonados. HAHAHA. Eu digo que cantei sozinha (; mas cantei extremamente feliz.

Fui empurrada, massacrada, alvo de cerveja. Uma merda. Agora, analisando bem, me arrependo de não ter arriscado me enfiar no meio do povão só pra ficar mais perto do palco. Eu provavelmente teria sido igualmente empurrada e mal tratada, mas estaria pertinho do Camelão :)

Enfim, depois de ficar uns 15 min meio puta com os empurrões e socos, mudei de lugar. Fui mais pro meio, achei uma galerinha legal. Conheci umas gurias de Minas, que estavam torcendo pra ele cantar “Três Dias” (“se faltar a paz, Minas Gerais”) e umas loucas bêbadas atrás de mim.

Na minha frente, pessoas bacanas e uns casais sem noção. Mocinhas de 1,50m querem assistir o show lá na frente porque são baixinhas, mas elas se esquecem que seus namorados medem 1,92m e ocultam a visão do palco :S. Por sorte (pela 3ª vez na noite), consegui achar um vão entre 2 homens imensos, e na minha frente, só se via o futuro lugar que seria ocupado pelo Camelo! Eu chutaria dizer que estava há uns 7m do palco. Excelentes 7 metros.

Durante

Era quase meia-noite e as samambaias começaram a chegar no palco. Samambaias imensas, verdes e bonitas. Um milhão de instrumentos sendo montados, que já já seriam tocados pela banda Hurtmold.

Nessas horas, eu tava tão nervosa, mas tão nervosa, que eu não acreditava que estava ali. Queria muito que meus amigos estivessem ali comigo pra dividir o momento e talvez me fazer acreditar que era verdade. Sou tão idiota! Angela: tu devia estar ali comigo!

Eu não sou fã oldschool do Los Hermanos. Fui me apaixonar pela banda quando ela já tinha acabado. Perdi os shows deles em SP nos últimos 2 anos e bom, perdi a vida da banda, né?!

Também fui fã tardia do Marcelo Camelo. Quando ele lançou “Sou“,  não gostei. Era diferente demais de Los, e nunca tive o hábito de ouvir o CD. Mesmo assim, sempre tive vontade de ir a um show dele, porque já que não se tem os 4 hermanos, me contento com 1.

Obviamente, tudo mudou quando ele lançou “O toque dela” esse ano, disco pelo qual me apaixonei loucamente. E é claro que tive escutas intensivas de Marcelo Camelo nesses 3 meses que separaram o anúncio do show aqui em Porto Alegre, desta bendita quinta-feira! (: Era obrigatório saber cantarolar tudo nessa noite.

Aí então ele chegou. De cabelo repartido de lado, com a barba característica e uma taça de vinho na mão. Simpático e sorridente, acenou, nos deu boa noite e começou a tocar “Ô ô“.

Perdoem novamente a minha demonstração de imbecilidade, mas eu não acreditava que o cara tava ali. Parecia um vídeo do youtube, um footage de show ou um gif animado. Parecia qualquer coisa, exceto ele de verdade. Eu fiquei embasbacada.

Também nunca fui fã idiota de achar o Camelo bonito, mas ele, se mexendo, na sua frente, é BELO. É LINDO. Ele é charmoso, educado, polido, e acima de tudo um bom músico. Tem presença de palco, sabe tocar, sabe cantar, sabe ser. Sério, é impressionante.

Outra coisa que também impressiona é que as músicas são executadas com verossimilhança. Não tem diferença entre o que se escuta no CD e o que o Camelo consegue fazer ao vivo. Aliás, até tem, porque é um milhão de vezes mais emocionante ouvir ele cantar ao vivo. :~

E aí os senhores terão que desculpar o meu Alzheimer, mas não vou saber reproduzir exatamente a ordem correta das músicas que ele tocou.

Do CD novo teve “Acostumar”, “Tudo o que você quiser”, “Pretinha”, “Três Dias” (que enlouqueceu as mineiras), “Despedida”, e calma.. acho que ele tocou todas, exceto “Meu amor é teu” (que é uma das minhas preferidas). ):

Quando ele tocou “Vermelho”, não deu. Chorei. Chorei sozinha no meio daquele povo, HAHAHAHA e ai, foi tão bom chorar sozinha.

Talvez se alguém estivesse ali comigo, eu teria ficado envergonhada de chorar, mas ó, chorei meishmo.

Do “Sou” ele tocou “Janta” (e cantou a parte que a Mallu deveria cantar. MALLU PQ CE NAO VEIO SUA LINDA?), “Copacabana”, “Vida doce”, “doce solidão” e até “Menina Bordada” que deu uma animada no povo.

Foi lindo.

No meio do show, ele parava e conversava um pouquinho conosco. As gurias gritavam “CAMELO SEU LINDO”.

Aí de repente ele nos perguntou se tinhamos gostado das samambaias da decoração da turnê.

São bonitas, não é? Eu queria levar todas pra casa, mas não tem lugar… Então vou dar de presente pra vocês!”

E aí eu soltei uma frase que provavelmente nunca mais direi na minha vida:

EU QUERO UMA SAMAMBAIAAAAAAAAAAA

HAHAHAHAHA Foi ENGRAÇADÍSSIMO. O povo enlouquecendo pelas samambaias regadas a mão por Marcelo Camelo.

Diz aí se você também não ia gritar por uma samambaia dessas?

E enquanto a banda tocava, foi-se a via sacra de entregar as samambaias gigantescas pro público. Não sei se vocês já tiveram chance de conviver com samambaias, mas elas são PESADAS. HAHAHAHA. Mesmo assim, eu queria uma. ): Não deu…

E bom, é inevitável dizer, que apesar de ser um show do Camelo, o ponto alto foi quando ele tocou Los Hermanos. Com acorde desconhecido, e sem a entradinha característica do Mario Bros, ele começou a cantar “A Outra”.

Já falei pra vocês que chorei o show inteiro? Pois bem, nessa hora, chorei de soluçar. Cantei, gritei e chorei.

Ele também tocou “Morena” e bom, nessas horas eu não tinha mais maquiagem. (BRINKS, fui com maquiagem a prova d’água, sabendo do risco né, rs).

Aí chegou a hora do típico cu doce. Não gosto quando artista faz cu doce. Ele disse que ia ir embora, e eu pensei: O QUE?!?!. Aí ele saiu do palco.

O QUE?!?!!?!!?!?!

O povo começou a gritar muito e ele voltou. Odeio isso. Pra que fazer isso com meu coração, hein Camelo?

Aí no bis, ele cantou mais umas de “Sou” e “Despedida“. As loucas bêbadas que estavam imediatamente atrás de mim, começaram a gritar “Santa Chuva“. Gritavam muito. Irritantemente muito.

Eu gosto muito de santa chuva, mas por que que não pediram “Cara Estranho“? Pois é, ele não tocou cara estranho. ):

Aí depois de um “TOCA SANTA CHUVA, CARALHO“, ele respondeu, lindo e educado: “Tá bom, eu toco, não precisa falar palavrão“. (rererere owned)

E aí, pra terminar de partir meu coração, ele tocou “Pois é” do Los, e terminou o show.

E com a sequela do “vou embora, mas volto“, fiquei achando que ele ia voltar. Mas ele não voltou. Alguns começaram a cantarolar “Olha só… que cara estranho que chegoooou..” mas o povo não acompanhou.

Talvez se tivessem acompanhado, ele teria voltado ): …

Depois

A minha câmera fez o FAVOR de quebrar, e não consegui tirar uma foto se quer, nem filmar, nem nada. Então como já diria a Rose no final do Titanic, esse show “existe apenas na minha memória…“, e bom… erm… no resto da internet.

Saí de lá com o maior sorriso da eternidade e com a tristeza de tudo ter acabado tão rápido. Foi 1h40 de show, mas o tempo voou.

E convenhamos né…. em metade do show eu não acreditei que estava lá e na outra metade eu não consegui enxergar nada por causa das LÁGRIMAS, HAHAHAHA, mas olha, foi… simplesmente foi. (:

Então por mais que eu tente descrever exatamente pra vocês como foi, ou fazer um relato rico de como foi o show, eu provavelmente não vou conseguir transmitir o que realmente foi estar ali.

Pra mim significou muito, então se esse relato ficou pobre ou sem graça, vocês podem entrar em contato com meus advogados e me processarem, ou tomarem vergonha na cara e irem num show do Marcelo Camelo, pra talvez ficarem tão sem palavras como eu tô.

Ah, nem! Ah, não! Ah, nem dá!

:)

Feliz, feliz!