Ode à Terezinha
Publicado; novembro 15, 2011 Filed under: Crônicas e Poemas 11 Comments »oi gente, eai beleza?
“mas bruna você não ia fechar o blog?”
Xiu. Me deixa ressuscitar rapidinho.
Hoje aconteceu uma coisa muito triste na pizzaria. Acho que todo mundo, num geral, fica meio babaca na pizzaria. É intrínseco do comportamento humano ficar idiota comendo pizza. Famílias gargalham, mesas cantam parabéns em conjunto e os garçons vão fazendo apostas de quem consegue ser mais simpático, ou qual cliente vai comer mais pedaços de pizza. Aposto que rolam umas apostas altas em dinheiro no backstage da pizzaria.
Enfim, é um ambiente ímpar, porque todo mundo na pizzaria é feliz. Se você tá triste, você não vai pra pizzaria. Vai pro bar. Pizzaria é lugar de gente descontraída, de aniversário, de jovens sem idade pra ir na balada e de famílias famintas.
Estudos apontam que só é triste na pizzaria, 1 de cada 12 garçons. 11 estão felizes e forçando uma barra quilométrica de carisma na garganta do cliente (junto com a pizza de alho e óleo, que ninguém come). Mas todo mundo sabe que não da pra acreditar porque que garçon consegue ficar tão feliz servindo pizza de milho a noite toda. Nem tudo são flores. Sempre tem uma ovelha negra. Sempre tem o garçon-depressão, que tá na bad, que tá sofrido. Não sei se ele tá passando calor perto das fornalhas, ou se ele já não aguenta mais ouvir os parabéns gaúchos, mas ele está muito, muito triste.
Hoje a flor murcha do salão era Terezinha.
Terezinha veio a mim pela primeira vez lá pelas 22h10, oferecendo pizza de beringela com calabresa. Neguei. Ninguém em sã consciência aceita uma pizza dessas.
Terezinha voltou 6 minutos depois trazendo uma de brócolis com catupiry. Torcia o nariz enquanto meu amigo vegetariano comia feito um boi. Disse não.
Terezinha retornou 4 minutos depois com o sabor de frutos do mar. Balancei com a cabeça, temendo todas as intoxicações alimentares que eram passíveis de acontecer e a deixei ir embora.
Neguei Terezinha 3 vezes.
Enquanto vinha nos oferecer o sabores exóticos e nada apetitosos, Terezinha vinha com um discurso ensaiado, dizendo o nome da pizza, seguido de seus ingredientes. Depois, emendava o tradicional “alguém aceita?“.
Se 3 pessoas da mesa dissessem sim, Terezinha servia um pedaço, parava e perguntava de novo:
- Mais alguém?
Servia o segundo, parava e perguntava de novo:
- Mais alguém?
E assim prosseguia, mesmo se na mesa houvessem 30 pessoas aceitando o sabor proposto.
Isso me irritou em Terezinha e começei a ir no contra-fluxo da alegria-de-pizzaria. Comecei a ficar ranzinza quando Terezinha se aproximava. Já ia pensando comigo “Olha lá Terezinha, vindo com mais uma pizza ruim e perguntando sobre mais alguéns…“
Depois da enésima vez negando Terezinha pela noite, ela voltou com ar de triunfo, ornando na mão direita a bandeja de calabresa.
- Calabresa, mussarela, calabresa e pimentão; Alguém aceita?
2 amigos meus disseram sim. Neguei. Infelizmente não gosto de calabresa. Terezinha já foi servindo o primeiro pedaço.
- Mais alguém?
Terezinha serviu o segundo. E nesse momento, Terezinha surpreendeu:
- Moça… calabresa?
Emputeci. Terezinha me indagava sobre a calabresa. Terezinha olhava em meus olhos e devia se perguntar porque eu estaria negando a pizza mais trivial das pizzas. Naquele momento, ficou pessoal para Terezinha. Pensei com toda a minha força se não tinha sido clara o suficiente dizendo não, não de novo, e estava cogitando a real necessidade de ter que negar Terezinha pela terceira vez, pela 2ª vez na noite.
- Não, obrigada.
Fui simpática.
Nisso, uma gargalhada estrondosa do meu amigo bovino-vegetariano estrondou e fez Terezinha olhar para mim.
“O que foi que eu fiz?” Terezinha deve ter pensado. Deve ter me julgado com a mente, achando que espalhei horrores de comentários sobre seu trabalho na nossa mesa, e a risada do meu colega só deveria confirmar a maldade que circundava nossas pessoas. Que mais seria?
Naquele momento, eu era a cliente grossa, que além de negar suas deliciosas pizzas, ainda ria de sua cara.
Depois disso, Terezinha não sorriu pra mim pelo resto da noite. Estava triste. Olhava baixo quando passava pela nossa mesa, nem se prestava mais a esperar os nossos sim ou nãos para os sabores que ela trazia. Terezinha não sorriu nem mesmo quando veio me servir a predileta Frango com Catupiry, e eu a aceitei com muito gosto.
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Por isso quero pedir o perdão de Terezinha através de um poema:
Ode à Teresinha
Olha la ela, vem triste por ali
De cabelos negros, sinceros
‘Aceita frango com catupiry?’Olha, vai ela, sofrendo barranco
De uniforme preto, sincero
‘Canelone de queijo ao molho branco?’Terê, vem cá, aceita esse mimo
Te aceitei um pedaço dado
Sorri pra mim, pizza de milho?Terê, Terê, te ouço do além
Para de ficar brava comigo
Mais alguém?Mais alguém?
Moça… calabresa?
Só queria dizer que a pizza de brócolis com catupiry estava divina. Obg
Só quero que você pense que Terezinha deve estar chorando nesse momento. Flw
lixo
como se eu não soubesse
Lixo nada! hahaha morri de rir.
Acho que a Terezinha que fez esse comentário, hein.
que.gordice.
SHASHUHSAUHSAUHASUSA mentira, ri o post inteiro.
Abç, Brubs
Ah que legal vc vai reativar o blog?
=)
hauhauah ainda não sei, hoje mesmo to fazendo um post novo.
vc é linda! por dentro e por fora! beijo
Que amor, obrigada!
[...] lugares de gordinhos), o ambiente dessa nova história é também uma pizzaria, como no post da Terezinha. Tô pensando seriamente em passar a frequentar mais pizzarias, porque sempre rola uma história [...]