oi lindos, tudo de boézima?
Então, tô aqui pra narrar pra vocês mais uma história emocionante, dessas que acontecem de verdade, mas que não tenho coragem de chamar de crônica. Coincidentemente (ou somente por uma ironia indicativa de que estou frequentando lugares de gordinhos), o ambiente dessa nova história é também uma pizzaria, como no post da Terezinha. Tô pensando seriamente em passar a frequentar mais pizzarias, porque sempre rola uma história legal pra contar depois. Quem sabe eu não lanço um livro um dia, chamado “Crônicas de pizzaria“, hein? Quem sabe eu também não engordo 40kg né, nunca se sabe.
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A história de hoje é sobre um cara chamado Lucas. Escolhi este nome pra ele, porque obviamente não troquei uma palavra com o cara, não esbarrei nele, e nem consigo imaginar o seu nome. Até pensei em chamá-lo de João por causa da comum escolha do nome no Brasil, mas se era pra escolher nome de Apóstolo, que fosse um nomezinho mais pessoal (e mais bonito). João era o apóstolo do amor, mas aqui na história, é o Lucas mesmo. Quero deixar claro que não tenho nada contra Joões.
Assisti ao drama do menino Lucas de umas 2 mesas de distância, uns 4 metros, no máximo. Sua idade eu também não sei, mas vou dar uns 19 anos de idade, explicados pela inocência e nervosismo que o menino transbordava, e que já já vai ficar clara pra vocês também.
Chegamos na tal pizzaria por volta das 9 da noite. Era um lugar bastante pequeno, frequentado por diferentes classes sociais, escancarado em paredes de vidro de cara pra uma das grandes avenidas daqui da cidade. Não é um lugar dito aconchegante, e além da disposição Fordista de pizzaria, tínhamos que ficar levantando para nos servir de saladas e bebidas. O “ó”, para os mais preguiçosos. O ambiente também não era tão familiar quanto o daquelas grandes pizzarias onde rencas de parentes vão pra celebrar aniversários. Era sim um lugar mais jovial, em que os mais novos não celebram seus aniversários em voz alta porque têm vergonha de cantar parabéns em público. Então, não se viam mesas grandes e também não se ouviam parabéns.
Estávamos em 3 amigos e logo que sentamos na mesa, já vimos o Lucas sentado sozinho no meio do salão. Ele chamava atenção porque além de estar sozinho em uma mesa de duas pessoas, ele era, com todo respeito, extremamente bonito. Bastante jovem, alto e esguio, ele trajava uma camisa social bem passadinha e uma calça preta menos formal. Um conjunto visivelmente nervoso, já que a camisa estava delicadamente abotoada nas mangas, e de vez em quando ele ficava passando a mão no colarinho apertado. Associado ao vestuário engomadinho, ao cabelo bem arrumado e estrategicamente desleixado com gel e a barba bem cuidada, o nervosismo dele era denunciado em suas constantes olhadas no celular, torcidas e estralos de mão e longas olhadas pelas janelas. Claramente estava esperando alguém.
Na mesa, nada. O prato branco limpo indicava que ele não tinha comido ainda. Garçons passavam por ele oferencendo sabores variados, e ele negava um e outro com um risinho nervoso. Do lado esquerdo dele, uma caneca de vidro já estava vazia desde antes de chegarmos.
E assim ele foi indo. Olhava para o celular, enviava mensagens e dava uma risadinha ou outra. Olhava tudo em volta, incansavelmente olhava para a porta e depois olhava para o celular de novo.
Enquanto ele repetia o ritual, Lucas se tornou assunto na nossa mesa. Quem será que ele está esperando? Um homem ou uma mulher?
Essa dúvida parece bruta e indiscreta se jogada sem justificativa ou contexto, mas Lucas tinha uma beleza excepcionalmente duvidosa. Daquelas que você acredita ser impossível de alcançar, então enquanto eu desejava que ele esperasse um homem, meus amigos torciam para que ele estivesse esperando uma mulher. Era mais fácil para nós aceitarmos que o tal Lucas era inalcançável para qualquer um dos nossos gostos, porque seria mais fácil lidar com a inveja.
Que triste ter que admitir um pecado capital né, mas infelizmente a inveja bate nessas horas. Quem é que não desejaria ter um Lucas esperando por você, nervoso, ansioso e olhando para a porta te esperando chegar?
Mas naquele momento o Lucas já tinha deixado de ser vitrine de beleza e acabou virando nosso objeto de estudo. Ou melhor, virou nosso amigão. Já estávamos lá a 25 minutos, e sabe-se lá quanto mais o Lucas ficou, então estávamos todos realmente nervosos. Dada a participação intensa na história e a nossa observação meticulosa (e invasiva) do Lucas, o encontro dele se tornou nosso também.
Enquanto ele colocava as mãos embaixo da mesa e começava a apertar uma contra outra, dando leves batidinhas de perna no chão, íamos fazendo o mesmo, reabastecendo nossos copos de Coca-Cola, e igualmente nervosos, olhando pra porta nonstoppable. A grande diferença entre nós, é que nossa mesa estava comendo pizza. O Lucas já devia estar em cetoacidose nervosa, numa gastrite imensa.
Algumas vezes o Lucas até cruzou olhar conosco, mas acho que ele jamais imaginaria que estávamos dividindo tanta coisa naquele momento.
Mais olhadas, mais nervosismo, e já estávamos discutindo a história de vida do Lucas. Porque será que ele está tão bem arrumado? É um primeiro encontro? Só isso explicaria o nervosismo… É um encontro as escuras? Talvez isso explicasse ainda mais a impaciência do menino. É então um pedido de namoro? Ah não, mas se fosse pedido de namoro não ia ser feito na pizzaria né? Mas e a roupa formal?
Teorias após teorias, assumimos que era um encontro. O menino tava suando frio, hiperativo e com expectativas translúcidas no olhar de quem iria enxergar uma princesa da Disney entrar pela porta.
Depois de infinitas olhadas para (e do próprio) Lucas, e de exatos 42 minutos da nossa chegada, ele recebeu uma ligação. Atendeu o celular com pressa, num riso nervoséééérrimo e desligou logo em seguida. A postura dele mudou na hora. Endireitou a coluna, respirou fundo e depois se contraiu de novo na cadeira. Olhou para a porta e aí mais uma ligação.
Nesse momento, eu e meu amigo que estávamos de frente para o Lucas, não podíamos olhar pra porta. Descaramento (infelizmente) tem limite. Em compensação, nosso outro amigo, estava do outro lado da mesa, de costas pro Lucas e de frente para a porta. Então enquanto o Lucas atendia o telefone ele a viu entrar.
Aí meu amigo observador terciário já falou: Chegou!
- Era ela!
- Meu Deus, era ela!
Lucas já se levantou rapidamente e foi recebê-la na porta. Era uma mulher, para a alegria consolada dos meninos e pra uma auto-piedade instântanea da minha parte.
Festejamos, observamos a roupa e a fácies da mocinha como 3 tia-avós do Lucas, buscando aprovação da futura cônjuge a adentrar a família. Não sei se chegamos a uma boa conclusão sobre a menina, porque nossos melhores interesses eram voltados para o Lucas. Enquanto ela se sentava na mesa com ele, ele dava risadinhas extremamente contidas, erguendo os ombros e ressaltando covinhas. Ele estava tão nervoso e tão feliz ao mesmo tempo! Um amor que só!
Depois, ele levantou pra pegar bebida para os dois, e ela já pediu o primeiro pedaço de pizza sem esperar por ele.
Então apesar da deselegância da mocinha, que poxa vida, olha o quanto o Lucas te esperou hein filha, podia esperar um pouco mais pra comer não? Bom, só conseguimos desejar felicidades ao casal!
E um pedido de desculpas ao Lucas pela intromissão exacerbada no seu encontro.
