Hoje saiu aquela notícia de que foi descoberto um gene malandro em pessoas muito magras, que pode agravar o risco de doença cardíaca, por causar acúmulo de gordura em órgãos internos, ao invés da ‘gordurinha saudável’ do panículo adiposo.
Tipo. Para com isso.
Todo dia tem alguma coisa nova pra se preocupar, pra deixar de viver tranquilo.
Hoje na aula de nefro, por acaso, o professor disse que existe um tipo de falência renal (ou síndrome nefrótica? acho que não entendi muito bem o contexto), onde você pode vir vivendo a sua vida normalmente, fazendo xixi tranquilo, mantendo boa pressão arterial, e de repente seu rim pode começar a falhar, ocorrendo queda no débito urinário, debilitação de excreção de creatinina, anemia, e aí, quando você percebe… já é tarde demais. Claro que a falência é idiopática. Quem é que explica uma sacanagem renal?
Toda semana tem aquela aulinha singular, em que você descobre que pode estar tendo uma doença neurodegenerativa, ou um câncer de intestino, colite, melanoma, ou falência hepática, ou princípio de artrite reumatóide ou sarcoidose. Pode também estar surgindo uma bactéria superresistente a qualquer momento que tá só esperando você ficar gripado pra abusar do seu sistema imune. É tudo assim… tudo meio assintomático, silencioso e bem sacana.
Se não tem aulinha semanal, tem um artigo saindo pra ler, ou uma notícia relacionada a saúde.
A cada reportagem Globo-repórter-like que diz “tomate ajuda no câncer de próstata“, sai uma notícia equivalente, dizendo que “o risco de câncer de próstata pode ser aumentado pela exposição solar, ou por noites de sono maiores que 3h“. Ou melhor ainda, as vezes surgem uns cenários tão assustadores e imprevisíveis, que daqui a pouco estaremos lendo “primeiro caso de câncer de próstata é identificado em uma mulher de 38 anos, bjs“.
Aí você tem vontade de sair por aí marcando ressonância magnética, tomografia computadorizada, raio x de tórax, hemograma, cultura de swab corporal, exame de urina, punção lombar. Dá vontade de se internar na UTI pra fazer um check-up com laparoscopia exploratória.
Dá vontade de não viver, né.
Cara, é muito chato isso. Pra quem não é hipocondríaco, se preocupar com doenças deixa de ser trivial. E pra quem é hipocondríaco, é um empurrãozinho na beira do abismo do ~~você vai morrer cedo~~
E o problema da filosofia pessoal do live fast, die young é que nem isso eu faço. Vivo slowly, esperando alguma coisa mudar no dia-a-dia, esperando a mala se desfazer sozinha, esperando o mágico dia em que meu arroz vai se cozinhar sozinho. Blé. Ando muito apática, muito inerte. E quanto mais inerte você é, mais risco de morrer você tem. aossoadsaldspds brinks. Mas é mais ou menos assim que funciona, né não?
Por fim, deixo aqui uma frase do Robbins no capítulo de neoplasias, que diz mais ou menos como somos sacaneados pelo acaso:
“Chega a parecer que quase tudo que as pessoas fazem para ganhar a vida ou por prazer engorda, é imoral, ilegal, ou, pior ainda, é oncogênico.”




